A lição de Lost
Tá, eu sei que já falaram muito desse assunto em vários blogs do gênero. Mas talvez não com o nosso ponto de vista – de publicitários. Esta série é um produto a ser analisado, tem elementos que devem ser discutidos e colocados como reflexão. Quando se envolve com Lost, as pessoas entram em grandes discussões, se envolvendo completamente. Tem assunto pra uma vida inteira (ou pra várias). E o que quero discutir aqui, é exatamente isso: por que é tão interessante? Por que é tão intrigante e envolvente?
Antes de começar a acompanhar a série, tentei conhecer um pouco da cabeça do criador e produtor: JJ Abrams. Assisti Cloverfield e Star Trek, e vi que lá tinham ferramentas interessantes. Foi então que topei com essa palestra dele no TED:
Vários detalhes fazem de Lost assunto pra toda hora: os mistério jogados no decorrer da história, a ilha tratada como um personagem, os diferentes estilos de narrativas (flash-backs, viagens no tempo, flash-forward, flash-sideways), a forma como a série lidou também com diversos temas polêmicos (razão, fé, livre arbítrio, destino), a ótima construção de cada personagem – quem não se lembra da morte do Charlie? Outro ponto interessante a ser observado em Lost é a apropriação da linguagem universal da cultura popular; se utilizando de referências a filmes, livros, músicas, séries, jogos, arte, mitologias, ciência, filosofia, religião, tecnologia, dentro da trama; o nome dos personagens tinham por trás grandes significados. Tudo em Lost é interessante, tudo tem um propósito. “Cada pergunta que respondo leva a outra.” – citou uma importante personagem no final da série.
Para entender a trama não basta só assistir, tem que pesquisar, buscar entender, conversar a respeito, observar os detalhes de cada episódio (easter eggs), acompanhar a repercussão (das teorias, dos mistérios) nos blogs, fóruns, comunidades; conversar sobre Lost é fundamental no processo. Lost não é só uma série televisiva, é uma experiência.
Se utilizando de diversas temáticas, a série construiu também seus ícones culturais, e foram muitos: os bad numbers, a Dharma, Not Penny’s Boat, a escotilha, Hanso Foundation, o Black Rock, a própria trilha de Lost; os exemplos não acabam, tem atém um Wikipédia exclusivo de Lost; basta se entregar e interagir com a história.
E fica essa lição pra nós, humildes construtores de marcas. Que vivemos desenvolvendo propaganda, buscando conceitos, mensagens, abordagens criativas, ideias poderosas, tentando ser inovadores o tempo todo. Criar um ambiente interessante para as pessoas discutirem, trocar informações, e ainda se divertirem, pode ser ainda mais interessante no nosso trabalho. Fica o desafio pra gente.
Namastê!


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